Nutrição e Saúde
Hipertensão Arterial | Hiperuricemia | Dislipidemias | Constipação intestinal | Diabetes Melito | Obesidade | Síndrome metabólica | Transtornos alimentares
Hipertensão Arterial

É definida como uma pressão sanguínea sistólica de 140mmHg ou mais elevada e/ou uma pressão sanguínea diastólica de 90mmHg ou mais elevada .Uma hipertensão não tratada leva a várias doenças degenerativas,sendo mais comuns,as doenças cardiovasculares.Pessoas com hipertensão podem não apresentar os sintomas da doença por anos e,de repente,virem a ter um ataque cardíaco fatal ou acidente vascular cerebral.
A maioria dos hipertensos sofre de Hipertensão essencial ou primária, devido ao fato de sua pressão sanguínea elevada ser desconhecida. Já a outra pequena parte dos hipertensos sofre de Hipertensão secundária, onde a pressão sanguínea elevada está geralmente relacionada a doenças renais ou endócrinas.

Alguns dos fatores que facilitam o desenvolvimento da hipertensão:

  • Idade;
  • Sobrepeso e Obesidade: 75% dos homens e 65% das mulheres com sobrepeso ou obesidade são hipertensos.A obesidade central está mais associada aos níveis de Pressão Arterial do que a adiposidade total.A perda de peso acarreta redução da Pressão Arterial;
  • Consumo excessivo de sódio;
  • Sedentarismo: Existe uma relação inversa entre grau de atividade física e a incidência de hipertensão. Indivíduos menos ativos têm uma probabilidade 30% maior de desenvolver a hipertensão do que seus correspondentes ativos. Estudos comprovam que a atividade física produz uma queda nas pressões sistólica e diastólica;
  • Consumo excessivo de bebidas alcoólicas aumenta a pressão arterial. O fato de seu consumo ocorrer fora das refeições, eleva o risco de hipertensão independente da quantidade ingerida;
  • Situações de estresse emocional;
  • Durante o decorrer da gestação.


  • Sendo assim, como terapia anti-hipertensiva,as medidas terapêuticas não farmacológicas devem incluir:

  • Redução e/ou manutenção do peso corporal saudável (existe uma relação direta entre peso corpóreo e pressão arterial);
  • Prática regular de atividade física;
  • Redução da ingestão de sódio. A dieta habitual contém cerca de 10 a 12 g de sal por dia. É saudável consumir até 6g de sal por dia considerando que: 4 g(4 colheres de café)são provenientes do sal adicionado aos alimentos e 2 g de sal são próprios dos alimentos na sua forma natural, mesmo que não haja adição de sal de cozinha.
  • Aumento da ingestão de potássio: Uma dieta rica em vegetais e frutas fornece cerca de 2 a 4 g de potássio/dia. Os substitutos do sal que contêm cloreto de potássio, são também muito úteis para reduzir a ingestão de sódio e aumentar a de potássio;
  • Redução na ingestão de bebidas alcoólicas: Deve-se limitar a ingestão de álcool para 30g etanol/dia para homens e 15g para mulheres. Ex: 650 ml de cerveja (6% de álcool), 300 ml de vinho(12% de álcool) e 75 ml de destilados(50% de álcool);
  • Cálcio e Magnésio: De acordo com estudos, não existe benefício na diminuição da Pressão Arterial com suplementação destes nutrientes. Deve haver especial cuidado com a suplementação de Cálcio, para não aumentar o risco de Litíase Renal. Dieta com alimentos fonte desses nutrientes como: frutas, verduras e laticínios magros, deve ser incentivada.
  • Sempre ler os rótulos dos alimentos industrializados: Muitos desses alimentos, mesmo sem apresentar sabor salgado, apresentam um teor considerável de sódio em sua composição.


  • Combater a Hipertensão é prevenir o aumento da pressão pela redução dos fatores de risco em toda a população e nos grupos de maior risco de desenvolver a doença. Para que isso seja possível, devem ocorrer mudanças permanentes no estilo de vida e no comportamento alimentar.

    Referência:

    V Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial. 2006

    "Esta orientação nutricional não substitui a necessidade de acompanhamento profissional."


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    Hiperuricemia

    O ácido úrico é o produto final do metabolismo das purinas (constituintes de nucleoproteínas). É formado na quebra de proteínas, principalmente as de origem animal. Neste processo, níveis anormais de ácido úrico ou urato que se acumulam no sangue devido à dificuldade do indivíduo em eliminar tais substâncias.

    A Hiperuricemia ocorre quando a concentração de urato atinge seu nível de saturação em torno de 7,0 mg/dl para homens e 6,0 mg/dl para mulheres.Os uratos de sódio são depositados nas pequenas articulações e nos tecidos circundantes,podendo levar a um quadro chamado gota úrica.

    Os sintomas tornam-se mais freqüentes e prolongados, à medida que a doença avança. Lesões insignificantes ou exercício não usual podem estimular os episódios. As crises têm sido relacionadas à alimentação rica principalmente em purinas, ao consumo de bebidas alcoólicas e à prática de exercício em excesso. Esse distúrbio também esta associado à obesidade. Dietas radicais, principalmente as pobres em carboidratos para redução de peso e jejuns prolongados, podem elevar os níveis séricos de ácido úrico. A Hiperuricemia pode desenvolver-se secundariamente a superprodução ou subexcreção de uratos. Os níveis séricos de ácido úrico sobem durante uma dieta altamente restritiva, (definida como aquela que oferece menos que 800 kcal por dia), em geral secundária à acidose metabólica induzida pela dieta.

    Dicas para prevenção e controle do ácido úrico elevado:

  • Pratique atividade física regularmente;
  • Evite seguir dietas radicais, procure um profissional;
  • Perca peso seguindo um plano alimentar equilibrado;
  • Evite fazer jejum;
  • Evite o consumo de bebidas alcoólicas;
  • Modere no consumo de alimentos ricos em purinas. Lembre-se que a alimentação contribui com cerca de 8 a 12% do ácido úrico total.


  • Referências:

    MADURO,I.et al.Hiperuricemia em Obesas sob dieta altamente restritiva.Arq Bras Endocrinol Metab;2003;47(3):266-270.

    NATIONAL TASK FORCE ON PREVENTION AND TREATMENT OF OBESITY.Very low Calorie Diets.JAMA;2003;270:967-973.

    PEIXOTO,M.R,MONEGO,E.T.,JARDIM,P.C.et al.Diet and medication in the treatment of hyperuricemia in hypertensive patients.Arq Bras Cardiol;2001;jun;76(6):463-72.

    CHOI,H.K.,CURHAN,G.Beer,liquor and wine consumption and serum uric acid level:The Third National Health and Nutrition Examination Survey.Arthrits Rheum,2004;Dec 15;51(6):1023-9.

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    Dislipidemias

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    Constipação Intestinal

    A constipação intestinal é definida como uma condição onde ocorre uma alteração no ritmo intestinal habitual, associada aos seguintes sintomas: dificuldade para evacuar, dores abdominais e consistência endurecida das fezes.

    Outras definições mais objetivas também estão relacionadas a esse quadro clínico:


  • Menos de 3 evacuações por semana durante uma dieta com alto teor de fibras;
  • Ausência de evacuações por mais de 3 dias;


  • É preciso salientar que indivíduos com 01 evacuação a cada 02 dias ou com 01 evacuação 3 vezes ao dia, estão dentro do padrão de normalidade.

    As causas mais comuns da constipação intestinal estão relacionadas às mudanças no estilo de vida e aos hábitos alimentares inadequados, como:

  • Hábitos precários de eliminação, como a repetida ausência de respostas para o impulso de defecação e deficiência em estabelecer um horário regular para a defecação determinados pela falta de tempo e agitação do dia-a-dia;
  • Ausência ou quantidade insuficiente de fibras na dieta habitual ou no início de dietas hipocalóricas para redução de peso;
  • Ingestão insuficiente de líquidos;
  • Perda do tônus(estado de tensão normal dos tecidos)da musculatura intestinal. Essa condição pode ser agravada por ansiedade ou tensão nervosa;
  • Sedentarismo.


  • Algumas alterações orgânicas que podem levar à constipação crônica:

  • Efeito colateral de medicação;
  • Anormalidades metabólicas e endócrinas;
  • Doença vascular do intestino grosso;
  • Gestação;
  • Doenças do trato gastrointestinal superior(Doença Celíaca, Úlcera Duodenal, Câncer Gástrico, Fibrose Cística e etc.);
  • Síndrome do Intestino Irritável(padrão de defecação anormal, associado a sintomas de disfunção intestinal que persistem por mais de três meses);
  • Fissuras Anais ou Hemorróidas;
  • Uso crônico de laxantes.


  • As conseqüências da constipação intestinal podem ser diversas, sendo as mais comuns:

  • Divertículos(musculatura lisa) e diverticulose;
  • Hemorróidas;
  • Flatulência;
  • Distensão Abdominal;
  • Enxaqueca;
  • Fissura Anal;
  • Câncer de Cólon;
  • Pele opaca com acnes.


  • Dicas para evitar e/ou controlar a constipação intestinal:

  • Procure ter horários regulares para fazer suas refeições. Isso fará com que seu organismo comece a se habituar a uma nova rotina. Essa é uma medida importante devido ao fato da defecação ocorrer após ou entre 25 às 72h a partir da ingestão de um alimento. Normalmente, o resíduo do alimento consumido pela manhã atinge o intestino delgado durante a manhã seguinte.
  • Beba líquidos regularmente(no mínimo 1,5 litros por dia).A água deixa o bolo fecal mais amolecido facilitando assim a evacuação.
  • Não deixe de responder ao impulso natural do organismo para defecação. É importante ir ao banheiro sempre que sentir vontade;
  • Tente estabelecer um horário para ir ao banheiro;
  • Pratique exercícios físicos regularmente. Lembre-se, uma simples caminhada já traz benefícios;
  • Evite o uso de laxantes, a não ser, sob orientação médica. Com o uso diário de laxantes, o intestino torna-se preguiçoso e passa a funcionar apenas mediante esse estímulo;
  • Aumente o consumo de fibras, principalmente as insolúveis, responsáveis pelo aumento do volume do bolo alimentar e das fezes, além de diminuir o tempo de trânsito intestinal. A recomendação de consumo de fibras é de 20 a 35 g /dia para adultos;
  • Incremente no número de Bifidobactéias intestinais através da ingestão concomitante de Prebióticos e Probióticos.


  • PREBIÓTICOS:

    São identificados como fibras dietéticas não-digeríveis e que no cólon, servem como substrato específico para o desenvolvimento de algumas espécies bacterianas.

    Alguns exemplos de substâncias prebióticas: Oligossacarídeos de maior destaque como os Frutooligosacarídeos (FOS) e a Inulina.Podem ser consumidos diariamente.

    Os Prebióticos apresentam as seguintes funções:

  • Ajudam na manutenção da flora intestinal;
  • Promovem alívio na constipação e desconforto intestinais;
  • Reduzem o risco de Aterosclerose por diminuir os níveis de triglicerídeos séricos e aumentar a produção de ácidos graxos voláteis;
  • Efeito bifidogênico:estimulam o crescimento das bifidobactérias do cólon que suprimem a atividade putrefativa de outras bactérias.


  • PROBIÓTICOS:

    Esse é um ingrediente microbiano vivo que, ao ser consumido em quantidades suficientes, exerce efeitos benéficos no hospedeiro. Os Probióticos são geralmente selecionados dentre os diversos tipos de bactérias lácticas. Como exemplo de cepas aprovadas pela ANVISA, temos: Lactobacillus Acidophilus, Lactobacillus casei shirota, Bifidobacterium lactis etc. Podem ser consumidos diariamente.

    Fontes de Probióticos:

    Leites fermentados que contêm microrganismos vivos em quantidade suficiente para melhorar a microflora intestinal e Iogurtes. Também podem ser encontrados em cápsulas ou em pó.

    Efeitos fisiológicos no organismo:

  • Aumentam a absorção de Cálcio,Magnésio e Zinco;
  • Estimulam a imunidade do hospedeiro,através de uma maior produção de células protetoras;
  • Possuem ação anticarcinogênica;
  • Atuam na redução do colesterol;
  • Aumentam a digestibilidade da lactose através da produção da enzima beta galactosidase pelos Lactobacillus;
  • Regulam a motilidade intestinal, com conseqüente alívio da diarréia e da constipação intestinal.


  • Referências:

    KAUR,N;GUPTA,AK.Applications of inulin and oligofrutose in health and nutrition.J.Biosci,Bangalose,27:703-714,2002.

    SARON,M.L.G.,SGABIERI,V.C.,LERAYER,A.L.S.Prebióticos:efeitos benéficos à saúde humana.Nutrire:Soc.Bras.Alim.Nutr,São Paulo,30:117-130,dez 2005.

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    Diabetes Melito

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    Obesidade

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    Síndrome Metabólica

    A Síndrome Metabólica(SM)é um transtorno complexo representado por um conjunto de fatores de risco cardiovascular tais como: Obesidade Abdominal, Dislipidemias, Hipertensão Arterial e Elevada taxa de glicose sanguínea.
    A Organização Mundial de Saúde (OMS) e o National Cholesterol Education Program’s Adult Treatment Panel III (NCEP-ATP III) formularam definições distintas para a Síndrome Metabólica (SM).
    A definição do NCEP-ATP III,foi desenvolvida para uso clínico e não exige a comprovação de Resistência à Insulina (RI) como preconiza a definição feita pela Organização Mundial da Saúde (OMS).Por sua praticidade,é a definição recomendada pela I Diretriz Brasileira de Diagnóstico e Tratamento da Síndrome Metabólica (I-DBSM).

    Segundo o National Cholesterol Education Program’s Adult Treatment Panel o diagnóstico para a Síndrome Metabólica depende da ocorrência de pelo menos 3 componentes citados no quadro abaixo:

    Componentes da Síndrome Metabólica
    Segundo NCEP - ATPIII
    Componentes Níveis
    Obesidade Abdominal  
    Homem > 102 cm
    Mulher > 88 cm
    Triglicérides > ou = 150 mg/dl
    HDL Colesterol  
    Homem < 40 mg/dl
    Mulher < 50 mg/dl
    Pressão Arterial > ou = 130 mmHg ou >ou = 85mmHg
    Glicemia de Jejum > ou = 110 mg/dl
    A presença de Diabetes Melito tipo 2 não exclui o diagnóstico de SM


    A presença da SM está associada a um apreciável aumento nas taxas de mortalidade, principalmente por doenças cardiovasculares.
    O primeiro estágio dessa síndrome é o ganho de peso, com acúmulo de gordura principalmente na região abdominal, inclusive podendo ocorrer já na adolescência. Esse ganho de peso pode evoluir para Dislipidemia e Hipertensão.
    O último estágio, que geralmente ocorre após os 50 anos de idade, é marcado pela presença do Diabetes Melito tipo 2, podendo provocar derrames e infartos. A característica principal desse conjunto de fatores é que o indivíduo não responde adequadamente à ação da insulina (resistência à insulina),havendo maior necessidade de insulina que o normal para manter os níveis de glicose adequados e o bom funcionamento do organismo.A RI resulta em anormalidades específicas no metabolismo lipídico ( níveis de TG elevados : > 150 mg/dl e níveis baixos de HDL : < 40 mg/dl em mulheres e < 50mg/dl em homens).Em geral,o colesterol total não se encontra elevado,porém se apresenta como partículas mais densas,o que aumenta seu potencial aterogênico.

    Os riscos aumentam com a idade, principalmente se o indivíduo:

  • É Sedentário;
  • Está com o peso elevado ( principalmente gordura abdominal );
  • Possui histórico familiar de Diabetes Melito;
  • Sofre de Hipertensão Arterial;
  • Apresenta níveis elevados de gordura no sangue.

  • Os riscos para a SM podem ser detectados através da medida da circunferência abdominal, medida mais importante que as medidas do IMC (Índice de Massa Corpórea)no diagnóstico da obesidade.

    Em relação às estratégias de tratamento, sabe-se que uma perda de peso de 5 a 10% esta associada com a melhora dos fatores de risco.

    Algumas das intervenções que devem ser enfocadas para o tratamento da Síndrome Metabólica:

  • Criar um hábito alimentar saudável;
  • Manter ou atingir o peso saudável;
  • Reduzir o consumo de gorduras saturadas e trans (hidrogenadas);
  • Aumentar a ingestão de fibras;
  • Reduzir a ingestão de carboidratos simples;
  • Praticar atividade física regularmente;
  • Tratamento medicamentoso.


  • Referências:

    Expert Panel on Detection, Evaluation and Treatment of High Blood Cholesterol in Adults.Executive Summary of the Third Report of the National Cholesterol Education Program (NCEP) Expert panel on Detection, Evaluation and Treatment of High Cholesterol JAMA,285:2486-2497,2001.

    GRUNDY,S.et al.Definition of Metabolic Syndrome.Report of the National,Lung and Blood Institute/American Heart Association Conference on Scientific Issues Related to definitions. Circulation;109:433-438;2004.

    I Diretriz Brasileira de Diagnóstico e Tratamento da Síndrome Metabólica. Arq Bras cardiol; 84(supl 1):1-28;2006.

    LAMARCHE,B. et al.Fasting insulin and apolipoprotein B levels and low-density lipoprotein particle size as risk factors for Ischemic Heart Disease.JAMA.279(24):1955-61;1998.

    KENDALL,D.M.The metabolic syndrome,type 2 diabetes,and cardiovascular disease:understanding the role of insulin resistance.Am J Manag Care;8(20 suppl):S635-53;2002.

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    Transtornos Alimentares

    Os Transtornos Alimentares(TA)se apresentam como uma doença psiquiátrica,caracterizada por um desequilíbrio severo na ingestão alimentar e ocorrendo principalmente entre adolescentes e mulheres jovens.
    Os mais conhecidos e com critérios diagnósticos bem definidos, DSM-IV (APA, 2000) e CID – 10 (OMS, 1993), são: Anorexia Nervosa (AN) e Bulimia Nervosa (BN).Embora se reconheçam a existência de outros transtornos alimentares não específicos.

    Anorexia Nervosa (AN)
    É caracterizada pela limitação da ingestão de alimentos, devido à obsessão pela magreza e o medo mórbido de ganhar peso.

    Bulimia Nervosa (BN)
    É caracterizada pela grande ingestão de alimentos com sensação de perda de controle: os chamados episódios bulímicos.
    A preocupação excessiva com o peso e com a imagem corporal leva o paciente a métodos compensatórios inadequados para controlar o peso como: vômitos auto induzidos, uso de medicamentos (diuréticos, laxantes, inibidores de apetite), dietas restritivas e excesso de exercícios físicos.

    A etiologia dos TA não se encontra adequadamente estabelecida.É composta de múltiplos fatores como predisposição genética e causas psicológicas.
    Alguns estudos revelam que traços de obsessividade, perfeccionismo, passividade e introversão são comuns em pacientes com AN. Já na BN, existem traços de impulsividade com instabilidade afetiva.
    Estudos com gêmeos,concluem que a genética contribui em torno de 31 a 83% para o surgimento da BN,ao passo que na AN esse percentual fica em torno de 33 a 84%.O restante da variância genética dos dois transtornos pode ser atribuído aos fatores ambientais específicos e individuais.
    A insatisfação com o corpo,a baixa auto-estima e a obesidade infantil também são fatores importantes no processo que desencadeia a doença.

    Os TA exigem do profissional nutricionista habilidade e conhecimento da técnicas da terapia cognitiva comportamental. Uma “Terapia Nutricional” dividida em duas fases é proposta pela ADA para o tratamento dos TA.Tais fases são denominadas:

    1-Fase Educacional:
  • Coleta e transmissão de dados como: história alimentar, definição de conceitos relevantes sobre alimentos, apresentação de exemplos de padrões de fome e de consumo alimentar e orientações básicas a família.


  • 2-Fase Experimental – Apresenta objetivos mais terapêuticos como:
  • Separar comportamentos relacionados a alimentos e peso, de sentimentos e questões psicológicas;
  • Incrementar as mudanças de comportamento alimentar;
  • Orientar a manutenção de um peso adequado e o comportamento em relação ao alimento em ocasiões especiais.


  • Entender a complexidade do comportamento alimentar nos TA,é fundamental para o nutricionista.Os pacientes apresentam uma série de dificuldades para lidar com os alimentos:medo, crenças errôneas,distorção sobre alimentação e nutrição.Além disso,afirmam ser grandes conhecedores de dieta e do valor calórico dos alimentos.

    Os objetivos do tratamento nutricional na AN são: restabelecimento do peso, normalização alimentar, percepção da fome e saciedade e correção das seqüelas biológicas e psicológicas da desnutrição.
    O comportamento na BN,alterna entre períodos de restrição e compensação,dependendo de uma série de fatores,incluindo:a oportunidade de purgação,o tipo de alimento disponível e o humor.O excesso no consumo alimentar desencadeia ansiedade e medo de engordar, levando aos comportamentos compensatórios inadequados para o controle de peso.
    Os objetivos da dietoterapia na BN são: diminuir as compulsões, minimizar as restrições alimentares, estabelecer um padrão regular de refeições, aumentar a variedade de alimentos consumidos, corrigir as deficiências nutricionais e estabelecer práticas alimentares saudáveis. Não se recomenda a contagem de caloria ou quantificações dos alimentos. O peso deve ser tomado regularmente e as oscilações discutidas com o paciente. Em quadros de obesidade ou excesso de peso é fundamental esclarecer que: a redução de peso somente será alcançada após a estabilização do comportamento alimentar.

    O papel do nutricionista é fundamental no tratamento dos TA, uma vez que os pacientes apresentam alterações graves de comportamento alimentar, levando a severas conseqüências clínicas.

    Referências:

    PINHEIRO,A.P, SULLIVAN.P.F.Genetics in eating disorders:extending the boudaries of research.Rev bras. Psiquiatr.28(3):2006

    NUNES, M.A, Appolinário, J.C. et al. Transtornos Alimentares e obesidade. Artmed, SP;2006.

    STUNKARD,A.J,ALLISON,K.C.Two forms of disordered eating in obesity:binge eating and night eating.IntJ Obes 27:1-12, 2003.

    MORGAN,C.M,NEGRÃO,A.B.Etiologia dos transtornos alimentares: aspectos biológicos, psicológicos e sócio-culturais.Rev Bras Psiquiatr. 24(3): 2002

    BULIK,.M.,TOZZI, F.Contemporary thinking about the role of genes and enviroment in eating disorders. Epidemiol Psichiatr Soc, v:13, n.2, p.91-98, 2004.

    LATTERZA, A.R,DUNKER, K.L.L. et al.Tratamento Nutricional dos Transtornos Alimentares. Revista de Psiquiatria Clínica.V:3, n 4, São Paulo, 2004.

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