Nutrição para a Vida
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Infância

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Adolescência

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Gestação

O ganho de peso adequado, a ingestão de nutrientes, o fator emocional e o estilo de vida serão determinantes para o crescimento e desenvolvimento normais do futuro bebê. A disciplina materna relacionada com seus hábitos de vida é considerada como fator de grande peso nas conseqüências imediatas e futuras, tanto para a mãe quanto para a criança. Por isso, a necessidade da gestante em fazer as adequações necessárias em seu comportamento alimentar.

Entre os fatores determinantes do peso ao nascer, os relacionados com as contribuições maternas inalteráveis como genótipo, a idade e a paridade participam com 28% enquanto as condições passíveis de modificações, relativas ao ambiente, representam mais de 54%.O estado nutricional é um dos fatores modificáveis mais importantes para a saúde da gestante e do bebê. O estado nutricional pré-gestacional é um determinante de ganho de peso insuficiente ou excessivo. Essa consideração sugere que seja necessária uma intervenção precoce no monitoramento do peso durante a gestação.

Mulheres com Baixo Peso
Bebês, filhos de Mulheres desnutridas ou com ganho de peso insuficiente durante a gravidez, apresentam baixo peso ao nascer. O impacto desse quadro na saúde da criança envolve prejuízos para o desenvolvimento neurológico do feto, deficiência imunológica e seqüelas no crescimento pós-natal, além de outros distúrbios na produção de enzimas e nas funções de órgãos como os rins, os pulmões e o fígado.

Sobrepeso e Obesidade
O ganho de peso excessivo durante a gestação ou iniciar esse período com sobrepeso ou obesidade, são fatores de risco para o desenvolvimento de complicações clínicas como o Diabetes Gestacional, a Hipertensão Arterial ,o Distúrbio Hipertensivo Específico durante a gravidez e o trabalho de parto prematuro. O diabetes e a hipertensão são de duas a seis vezes mais prevalentes em gestantes com excesso de peso .

O acúmulo excessivo de gordura durante a gestação confere maiores riscos obstétricos durante o parto e é considerado fator determinante da retenção de peso em mulheres no pós-parto. Diversos estudos revelaram que quanto maior o ganho de peso durante a gestação, maior a retenção de peso no pós-parto.

A obesidade materna pode desencadear um efeito cascata em que os níveis aumentados de glicose estimulam a produção de insulina pelo feto, o que resulta no aumento indesejado da lipogênese fetal (formação de gordura) resultando num bebê obeso que é considerado de risco.A taxa de mortalidade em bebês com mais de 4 Kg é maior quando comparada com bebês que pesam entre 3 e 4 Kg. O Instituto de Medicina da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos ( IOM), recomenda que o ganho de peso durante a gestação seja calculado segundo o estado nutricional pregresso da mulher, utilizando para esse cálculo, o Índice de Massa Corpórea pré-gestacional (IMC).A faixa de IMC para gestantes é diferente dos padrões, devido a preocupações com a saúde da criança.

IMC ( Kg/m²) Estado Nutricional
Pré Gestante
Ganho de Peso Total (kg)
< 19,8 Baixo Peso 12,5 a 18
19,9 – 26,0 Normal 11,4 a 15,9
26,1 - 29,0 sobrepeso 6,8 a 11,4
>29,0 obesidade 6,0



Fonte: Subcommittee on Nutritional Status and Weight Gain during Pregnancy and Subcommittee on Dietary Intake and Nutrient Supplements during Pregnancy.Food and Nutrition Board,National Academy of Sciences.Nutrition during Pregnancy,parts I and II.Washington, DC: National Academy Press,1990;citado por Mahan,2002.

Por outro lado, somente recentemente surgiu a preocupação com a retenção de peso após o parto, o que pode fazer com que as recomendações de ganho de peso sejam pouco atraentes para algumas mulheres.

No 1º trimestre o ganho de peso da gestante não é muito relevante.Neste período podemos observar 3 diferentes respostas quanto ao peso da mulher,sem que alguma delas seja considerada ideal ou inadequada.

A perda de peso de até 3 kg, a manutenção do peso pré-gestacional ou o ganho de peso de até 2 Kg ,são situações previstas que nada comprometem.

A gestação gemelar requer maior ganho de peso que vai de 16 a 20 kg ou cerca de 2,7 Kg por mês nas últimas 20 semanas gestacionais;

A gestante apresenta necessidades aumentadas de energia a partir do 2º trimestre.
Esse aumento ,determinado pela Recommended Dietary Allowance(RDA) e publicado pela National Research Council (NRC)1989 , é apenas de 300 calorias/dia .Por isso , para uma gestação saudável não é necessário “comer por dois”.
A alimentação tem papel fundamental na manutenção da saúde da mãe e do feto.Por isso, a recomendação é que a alimentação durante a gravidez seja equilibrada para que atenda a todas a necessidades nutricionais, e suficiente, para que a gestante mantenha um peso saudável durante todo o período, além de garantir sua saúde e a boa formação do bebê.

“Quanto mais colorida a alimentação, maior a variedade de nutrientes".


Referências:
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GUNDERSON,E.P.& ABRAMS,B.Epidemiology of gestacional weight gain and body weight changes after pregnancy.Epidemiologic Reviews,1999;21:261-275.

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VITOLO,M.R. Nutrição:da gestação à adolescência. Reichmann e Affonso editores.Rio de Janeiro,2003,pp:322.

MAHAN,L.K.,ESCOTT-STUMP,S. Krause:Alimentos, Nutrição e Dietoterapia. 10ªed. São Paulo,Roca,2002.



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Lactação

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Terceira Idade

O envelhecimento é um processo natural e complexo que envolve diversas mudanças estruturais e fisiológicas, podendo afetar as condições de saúde e nutrição. O estado nutricional do idoso, definido como o indivíduo a partir de 60 anos de idade, corresponde ao reflexo de sua vida passada. Além disso, é afetado por inúmeras alterações fisiológicas decorrentes do envelhecimento (diminuição da percepção sensorial, da capacidade mastigatória, atrofia da mucosa gástrica, etc.) doenças, incapacidades físicas e/ou mentais (perda da independência e/ou autonomia), fatores sociais (isolamento social), econômicos (baixa renda ou aposentadoria insuficiente), influência de fármacos na digestão, absorção e utilização dos nutrientes, entre outros.

Fatores que podem afetar o estado nutricional do idoso:

Alterações sensoriais
Com o envelhecimento, ocorre uma diminuição da sensação de paladar, pela diminuição das papilas gustativas na língua e diminuição das terminações nervosas; e de odor (hiposmia), pela diminuição nas terminações nervosas do olfato, interferindo também sobre o paladar.Com estímulo sensorial alterado,a secreção salivar pode ser prejudicada, reduzindo a capacidade digestiva da saliva; A visão prejudicada também pode prejudicar o estado nutricional do idoso,por levar a uma diminuição na ingestão alimentar,resultante da diminuição do apetite e da capacidade de se alimentar sozinho.
O uso de próteses dentárias utilizadas por muitos idosos possibilita uma mastigação 75 a 85% menos eficiente do que a mastigação com dentes naturais; A atrofia das gengivas, oferecendo menos apoio, pode levar a diminuição da ingestão alimentar ( carnes, frutas, verduras e legumes crus), e a um conseqüente comprometimento do estado nutricional .

Alterações do trato gastrointestinal
Na maioria dos idosos, o funcionamento gastrintestinal mantém-se relativamente íntegro. No entanto, há algumas alterações clinicamente relevantes, como a gastrite atrófica, presente em 20% da população sadia com mais de 60 anos sendo caracterizada por uma menor secreção de ácido clorídrico, fator intrínseco e pepsina, levando a uma diminuição da disponibilidade de vitaminas, minerais. Essa patologia também provoca um crescimento bacteriano excessivo no intestino delgado, influenciando o suprimento de vitaminas hidrossolúveis e vitamina K.
Outra alteração que pode ocorrer no idoso é a diminuição da lactase, interferindo na digestão e absorção de lactose presente em produtos lácteos.
A absorção de ferro pode ser prejudicada pelo uso freqüente de antiácidos que modificam o pH do estômago.
Além disso, o tempo de esvaziamento gástrico torna-se mais lento. São observadas, ainda, modificações intestinais, como certa atrofia da mucosa e do revestimento muscular, resultando em menor motilidade do intestino grosso e cólon, que, associada à baixa ingestão de líquidos e de fibras e a um estilo de vida sedentário podem contribuir para a obstipação intestinal no idoso.

Alterações metabólicas
O envelhecimento pode levar a uma menor tolerância à glicose, ocorrendo um aumento nos níveis de glicose plasmática.Ainda se debate se essa intolerância é resultante de uma produção insuficiente de insulina ou de sua ação deficiente e se é realmente um processo natural ou é o desenvolvimento do diabetes.

Alterações Cardiovasculares:
Uma menor elasticidade dos vasos sanguíneos e um aumento na resistência periférica total podem levar a um risco e a uma prevalência crescente de hipertensão arterial. Nos indivíduos do sexo feminino com mais de 80 anos, a pressão arterial continua a aumentar conforme aumenta a idade, enquanto que nos indivíduos do sexo masculino mais velhos, após um pico, ocorre posterior diminuição substancial da pressão.
Nos homens com 60 anos, ocorre um pico do colesterol sérico e posteriormente, um declínio. Entretanto, nas mulheres há uma tendência ao aumento do colesterol total e do LDL-colesterol até os 70 anos.


Alterações renais

A diminuição do número de néfrons, bem como a redução do fluxo sanguíneo renal podem diminuir em até 60% a função renal e a taxa de filtração glomerular.Este fato reduz a capacidade do indivíduo de responder a alterações no estado de fluidos e a desafios no equilíbrio ácido-base , tornando importante a ingestão de líquidos .

Alterações músculo- esqueléticas
A massa magra tem uma diminuição de 2 a 3% por década, enquanto que a massa gorda aumenta de 15 para 25% nos homens com 60 anos e de 18-23% para 32% nas mulheres da mesma idade. Esse declínio da massa magra resulta de uma atividade física diminuída, de uma alteração na produção de testosterona e hormônio do crescimento, que afetam o anabolismo e o crescimento do tecido magro, sendo que essa mudança na composição corporal irá afetar as necessidades nutricionais.
O declínio da força muscular pode resultar em uma perda músculo-esquelética, que contribui para alterações no modo de andar e no equilíbrio, perda de função fisiológica e risco de desenvolver doenças crônicas.

Alterações imunocompetentes
A diminuição da imunidade tanto humoral quanto celular no idoso leva a uma menor habilidade de reagir a infecções, podendo assim,ocorrer uma maior prevalência de infecções.

Alterações psicossociais
A solidão, a viuvez, as alterações na rotina diária, a perda de independência e locomoção dos idosos, estados confusionais, bem como sua condição financeira , podem afetar o seu estado nutricional, por diminuir o interesse pela alimentação, pela incapacidade de fazer compras ou preparar as refeições etc.
A baixa renda ,quando associada à falta de conhecimento sobre alimentação saudável e as crenças e tabus alimentares, levam o idoso a utilizar alimentos de menor custo, ricos em energia, carboidratos simples e gordura saturada, de mais fácil preparo deixando de consumir alimentos ricos em nutrientes.

Sedentarismo
A inatividade física é um fator de risco para o aparecimento de doenças crônicas não transmissíveis, além de ser um fator agravante para doenças já instaladas.

Patologias pré-existentes
A presença de uma doença ou mais, controladas com medicamentos, pode alterar os processos metabólicos de digestão, absorção, utilização e excreção dos nutrientes, podem prejudicar o estado nutricional do idoso.

Justamente na velhice, fase da vida em que os indivíduos necessitam de maior apoio, ocorre redução da assistência familiar e comunitária ao idoso no Brasil. Embora essa assistência seja garantida pelo estatuto do idoso (Brasil 2003) e pela portaria 1395/GM (1999), ela deveria ser aplicada integralmente na prática, o que não acontece, devido ao precário atendimento público de saúde existente no país.

Quanto à situação nutricional, muitas vezes o idoso apresenta perda de peso e alterações na ingestão alimentar. Neste caso, é importante que sejam verificados: a ingestão alimentar em conjunto com seu estado nutricional. A partir dessa avaliação , deve ser realizado um atendimento adequado, voltado a sua recuperação integral ou à prevenção de uma possível desnutrição, garantindo que o idoso obtenha uma boa qualidade de vida e bem-estar.


Referências:

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MINISTÉRIO DA SAÚDE. Portaria 1395/GM, de 10.12.99: dispõe sobre a política de saúde do idoso. Brasília; 1999.

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